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Psicóloga da USP cria programa para tratamento de pessoas que fazem xixi na cama

SÃO PAULO - A enurese noturna (xixi na cama) é um problema não restrito apenas às crianças. Muitos adolescentes também sofrem do mal, o que pode comprometer sua sociabilização. Pensando nesse problema, a docente e pesquisadora do Instituto de Psicologia (IP) da USP, Edwiges Ferreira de Mattos Silvares, criou o Projeto Enurese, programa de tratamento que atende desde crianças de 6 anos até adolescentes de 11 a 19 anos. O atendimento dos adolescentes é feito semanalmente, com reuniões em grupo, em duas etapas: primeiro os jovens, em seguida seus pais.

Para o psicólogo Noel Costa, responsável pelo atendimento em grupo, este sistema é benéfico por proporcionar aos pacientes um sentimento de identidade: 'o jovem que tem a enurese noturna não pode comentar com os amigos por medo de brincadeiras. No grupo, ele encontra outros com o mesmo problema e fala sobre o assunto com muita facilidade', comenta.

No atendimento aos pais, a terapia aborda o quanto estes influenciam no problema do filho, e como eles podem colaborar para a solução. 'A enurese é um problema intimamente ligado às contingências familiares. Falando com os pais, procuramos identificar o quanto a relação deles com os filhos influi na manutenção do problema', aponta o psicólogo.

Cláudia (os nomes citados são fictícios) é uma das mães atendidas pelo projeto. Seu filho Rubens, de 13 anos, urinava durante o sono praticamente todos os dias. Desde que começou a passar pela terapia, em agosto de 2002, Rubens praticamente não faz mais 'xixi na cama'. 'A evolução dele é muito grande, parece um milagre. Realmente é muito incômodo conviver com esse problema todos os dias. Temos de acordar, trocar lençol, colchão...', comenta a mãe. Rubens comemora a melhora: 'antes do tratamento eu não podia viajar nem dormir na casa de amigos'.

Além do atendimento no consultório, o Projeto Enurese utiliza um aparelho que, através de um sistema de sensores, funciona como um alarme, alertando a criança quando ela urina durante a noite. Sobre o colchão do paciente é colocado uma espécie de tapete com sensores que, ao ser molhado pela urina dispara um alarme sonoro. 'Com esse sistema, o paciente se condiciona e aumenta aos poucos seu controle. O fato de despertar com o alarme gera um incômodo, o que é mais um estímulo para o corpo controlar a vontade de urinar durante o sono', explica o psicólogo.

Costa não descarta a possibilidade de a enurese noturna ter causas clínicas. 'Em alguns casos, o problema necessita de atendimento médico, sem a necessidade de um acompanhamento psicológico. Mas em várias ocasiões os portadores de enurese não possuem nenhum problema no sistema urinário, e a solução vem da psicologia', explica. O professor ressalta que, se necessário, há o encaminhamento dos pacientes para a consulta com médicos.

Para interessados em participar do Projeto Enurese, o atendimento está disponível para adolescentes e crianças a partir de seis anos. No primeiro contato, é feita uma triagem para a verificação da necessidade de atendimento. Ingressando no programa, o paciente passa a frequentar semanalmente as sessões. Mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico www.usp.br/agen .

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